OS 8 PRINCIPAIS ERROS DE GLEE


Glee surgiu com uma consistente base de fãs, e como todo seriado com este público (adolescente), também se viu com uma legião de haters prontos para criticar o show sem nem ao menos dar o trabalho de assisti-lo. A questão é que mesmo gostando da série, é inegável que a mesma cometeu inúmeros deslizes e falhas que resultaram no desapontamento do seu próprio público alvo. Dessa forma, hoje em sua quinta temporada, o seriado impressiona com índices de audiência decepcionantes, mesmo já estando renovada para a sexta temporada. Com a proximidade do centésimo episódio, neste texto objetiva-se refletir sobre os motivos que provocaram o abandono do público de forma tão acentuada.

1.       FOCAR EM RACHEL E ESQUECER OS DEMAIS PERSONAGENS



No episódio piloto, Glee deixou claro quais seriam as histórias que a série iria contar, representadas pelo sexteto que cantou ‘Don’t Stop Believin’ e um pequeno núcleo adulto formado pelos educadores do Mckinley High. Porém, depois de cinco temporadas a conclusão que fica é que a única deste grupo a conseguir manter seu rótulo de protagonista foi Rachel, ganhando destaque recorrentemente, além de um incontável número de solos. Artie, Tina e Mercedes foram relegados ao plano de fundo já na primeira temporada, de forma que suas exclusões chegaram ao ponto de se tornarem piadas dentro da série. Professor Schue perdeu seu núcleo familiar, suas ambições e sua descaracterização como protagonista resultou por derrubar sua principal parceira, Emma, rebaixada da posição de personagem regular já na terceira temporada. Uma trajetória parecida com a de Sue que perdeu sua irmã e passou a desaparecer da série por episódios inteiros, sem que sua ausência fosse notada. Em menor proporção, Finn e Kurt não chegaram a perder tempo de tela, porém passaram a girar em torno de Rachel constantemente. No caso de Kurt, quando não está na órbita da amiga, se apóia nos plots de Blaine, elevado ao status de protagonista.
O problema de focar em Rachel, é que a personagem é o típico ame ou odeie, e ao fazer a história priorizá-la ao passo que a apagava os demais, o público passou a ter muito pouco dos personagens com os quais se identificava. Porém, vale destacar que a falta de destaque para os citados, serviu de escalava para que Santana, Britanny, Quinn e Blaine ascendessem na série.

Extraído de: http://figginslovenest.tumblr.com/



2.       AUMENTO DESORDENADO DO ELENCO


Em sua primeira temporada, Glee já possuía um elenco relativamente grande para uma série de seu porte. Porém, a partir do segundo ano, o elenco passou a crescer absurdamente com a chegada de Sam, Becky Jackson, Karofsky, Blaine, todos os ganhadores do Glee Project, Beiste, Sugar Motta e tantos outros. E essa superpopulação acabou se tornando pessimamente administrada, de forma que muitos personagens acabaram esquecidos, utilizados apenas como figurantes, quando não retirados da série sem a menor explicação para o público, pois a mesma nem fez questão de explicar o desaparecimento de diversos deles. Afinal, qual o fim de Karofsky, Sugar Mota, Joe e Rory?

Extraído de:http://ohnotheydidnt.livejournal.com/

3.       PERSONAGENS BIPOLARES

Em séries, é interessante acompanhar a evolução dos personagens, de forma a vê-los aprender com seus erros e tentar corrigi-los. Quando a típica ex-líder de torcida se torna mais madura, ou a professora que quer destruir o clube do coral se revela uma pessoa de bom coração. Porém, o que se torna inaceitável é quando os comportamentos passam a oscilar de acordo com a conveniência do roteiro, tornando os personagens completamente contraditórios. E Glee fez muito isso. Quinn e Sue são os maiores exemplos, mas a bipolaridade foi sentida por quase todos do elenco, de forma que o público se via hora ou outra revoltado com aquele personagem agindo de forma contraditória seja em relação a seus sentimentos ou suas atitudes.

Extraído de:http://s1.zetaboards.com/

4.       FALTA DE CONTINUIDADE

Por ser um formato de comédia, Glee tentou criar histórias soltas que se resolviam em um episódio, como toda série dessa classificação faz. Porém, essa tentativa acabou gerando um efeito de desapontamento nos fãs, que desejam ter histórias consistentes, graduais e que evoluam ao longo do tempo. A falta de continuidade acabou resultando em plots que nasceram e foram complemente esquecidos ao longo da história. Exemplos disso são: amizade de um episódio entre Artie e Quinn após o acidente desta, a suposta gravidez de Rachel, o sexo casual entre Quinn e Santana, entre tantos outros apenas jogados na série e nunca desenvolvidos.

5. PRIORIZAR A COMERCIALIZAÇÃO DE MÚSICAS EM DETRIMENTO DA ADEQUAÇÃO AO CONTEXTO


Um dos principais destaques de Glee, em seu início, era a capacidade de dar novas versões a certos clássicos da música americana, como é o caso de ‘Don’t Stop Believin’, ‘Total Eclipse of The Heart’ ou ‘Singing in the Rain’. Porém, a partir da segunda temporada, a série começou a priorizar a introdução de músicas com maior apelo comercial ao invés das releituras. A própria temporada citada começa com um tributo a princesinha do pop, dando uma indicação do que viria a seguir como Katy Perry, Lady Gaga, Rihanna e tantos outros artistas  que passaram a ser introduzidos na série, ganhando tributos repetidos, além dos famigerados episódios de Natal para vender músicas da época ou os CDs dos Warblers. A questão é que ao fazer essa escolha, o roteiro se viu forçado a encaixar músicas de forma forçada, chegando ao caso de extremo de Blaine cantar para o seu irmão a música ‘Somebody that I used to know’.



6.       DIVISÃO DOS NÚCLEOS

A quarta temporada é o início da desfragmentarão da série, pois apesar dos problemas já estarem presentes, foram às decisões tomadas aqui que comprometeram a continuidade do show.
Com a formatura de parte dos personagens, Ryan Murphy optou por ser realista e não levar todo o elenco para mesma universidade, mesmo que os precedentes em séries do gênero o permitissem fazer tal coisa. Como Rachel já era a protagonista, enquanto quase a totalidade dos outros sete formandos foram esquecidos, a personagem ganhou um núcleo, cenários e novos personagens que giravam completamente em torno dela, pois foi isso que Nova York representou a principio. A questão é que ao criar essa partição, a série acabou gerando uma competição interna por tempo de tela e o público passou a se ver dividido em sua opinião sobre qual núcleo ele realmente queria assistir. Se por um lado, a escola representava o Glee em sua essência com a história que estávamos acostumados, NY representava uma evolução, um passo a frente na jornada de alguns dos personagens que acompanhávamos até então. Aqui, o roteiro teria duas opções: ou seguir a história com os personagens veteranos ou criar uma nova geração como Skins ou até Malhação fizeram em suas temporadas. Ao tentar atender todos os gostos, a série acabou gerando insatisfação, pois Glee acabou ficando em um intermédio entre duas propostas, não conseguindo agradar a ninguém.

7.       NOVOS PERSONAGENS COM STATUS DE PROTAGONISTAS

No final da terceira temporada, o roteiro nos prometeu pelas palavras de Rachel que o quarto ano seria a oportunidade de personagens como Tina, Artie e Sam terem o merecido destaque. Porém, a temporada seguinte trouxe novos personagens que se sobressaíram aos veteranos, no núcleo Ohio. Com isso, as comparações foram inevitáveis, e os novatos passaram a ser até odiados por parecerem querer substituir os anteriores além de “roubar” o destaque dos veteranos ainda presentes na escola.

Extraído de: http://fanfiction.com.br/

8.       ESTENDER O ANO ESCOLAR

Até o episódio 16 da quarta temporada, parecia ser a intenção tornar Marley, Jake, Unique, Kitty e Ryder os protagonistas do próximo ano. A conversa entre o quinteto prevendo a responsabilidade, neste episódio, parecia Ryan Murphy nos perguntando se poderia seguir por esse caminho. A resposta não deve ter sido positiva, e a alternativa foi estender o ano escolar de forma que o público se apegasse ao grupo. Porém, ao tomar essa direção, a série só acabou por ressaltar o seu desgaste acelerado pelas falhas de construção. Em dez episódios, as histórias parecem arrastadas, repetidas e cansativas ao ponto de fazer a audiência cair pela metade em relação a início da temporada, e em aproximadamente quatro quintos em relação aos primeiros anos da série.